Se não for no primeiro turno, será no segundo em altíssimas chances.

A disputa presidencial aparece mais aberta do que a fotografia isolada de cada pesquisa sugere. Minha projeção central coloca Flávio Bolsonaro à frente no primeiro turno, com uma vantagem curta sobre Lula, enquanto o mapa estadual indica uma eleição nacional dividida entre três grupos: áreas favoráveis a Flávio, áreas favoráveis a Lula e estados ainda indefinidos.
O placar nacional que registro hoje
Minha projeção central para os votos válidos é:
| Candidato ou bloco | Projeção central | Faixa pessoal de tolerância |
| Flávio Bolsonaro | 51% | 45% a 57% |
| Lula | 44% | 38% a 49% |
| Demais candidatos | 5% | saldo do cenário |
O centro do cenário coloca Flávio com 51%, um ponto acima do limiar exigido para a decisão presidencial no primeiro turno. A margem pessoal que atribuo aos dois principais candidatos é de seis pontos percentuais. Ela abre espaço para uma disputa de segundo turno, sobretudo porque o primeiro turno pode terminar muito perto da linha de 50%. Ainda assim, o cenário central que registro aponta vitória de Flávio já na primeira rodada.
Em um total ilustrativo de 118 milhões de votos válidos, 51% representariam 60,18 milhões de votos para Flávio, enquanto 44% equivaleriam a 51,92 milhões para Lula. A diferença entre os dois seria de aproximadamente 8,26 milhões de votos. A referência a pouco mais de 60 milhões para Flávio, portanto, é compatível com esse cenário de votos válidos.
Esse cálculo serve como régua para a leitura do resultado. Um ponto percentual, nesse exemplo, equivale a 1,18 milhão de votos. A pequena distância até o limiar de 50% tem peso político e matemático muito grande.
O mapa que sustenta a hipótese

Mapa da projeção presidencial de 2026 por unidade da federação.
Não deixe de ver o PDF completo aqui
https://zanzorosberg.com.br/projecoes-especulativas-a-presidente-2026/
No mapa presidencial, projeto Flávio Bolsonaro como vencedor em 15 unidades da federação: Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.
Lula aparece à frente em oito estados: Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Quatro estados ficam na categoria que chamo de Purple States, com disputa aberta: Alagoas, Amapá, Amazonas e Pará. No Amazonas, a indefinição vem acompanhada de leve vantagem para Flávio. O mapa registra uma divisão presidencial mais complexa que a antiga imagem de um país eleitoralmente imóvel por regiões.
Essa distribuição também explica por que o resultado nacional pode ser apertado mesmo com vitórias estaduais expressivas. Flávio precisa converter força no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte do Norte em uma vantagem nacional suficiente para compensar o peso lulista no Nordeste. Lula conserva uma base regional importante, mas a minha leitura aponta redução da folga em comparação com o padrão de 2022.
A hipótese de transferência de votos
O segundo componente da projeção é a transferência de votos em um eventual segundo turno. A hipótese que registro atribui a Flávio 60% dos votos associados a Ronaldo Caiado e Renan Santos. Para Lula, atribuo 60% dos votos de Augusto Cury. Os percentuais restantes ficam distribuídos entre os demais destinos possíveis.
Uma conta anterior, com base de 44,32% para Flávio, 44,40% para Lula e 11,28% para os demais, produziu o seguinte cenário depois das transferências:
| Bloco | Base | Após a hipótese de transferência |
| Flávio Bolsonaro | 44,32% | 48,27% |
| Lula | 44,40% | 46,66% |
| Demais | 11,28% | 5,07% |
O mecanismo é simples: Flávio recebe 60% do bloco Caiado mais Renan, enquanto Lula recebe 60% do bloco de Cury. A decomposição dos blocos individuais permanece aberta, porque os votos de Caiado e Renan foram trabalhados conjuntamente nessa conta.
Minha leitura política é que a transferência de Caiado e Renan para Flávio tende a ser mais consistente que a transferência de Cury para qualquer lado. Cury tem potencial para influenciar o debate e ocupar espaço no primeiro turno, mas sua capacidade de transferir votos diretamente para Flávio parece pequena. Em uma decisão binária, o peso maior viria do eleitorado associado a Caiado e Renan, enquanto Cury funcionaria mais como uma fonte de votos residuais e de deslocamentos parciais.
Por essa razão, considero provável uma vitória de Flávio em eventual segundo turno, com vantagem maior na absorção dos votos de Caiado e Renan que a obtida por Lula. Essa é uma hipótese de comportamento eleitoral, construída sobre os percentuais registrados, e precisa ser confrontada com a apuração oficial.
O afunilamento das pesquisas
Outra parte da minha análise é a aproximação entre os institutos na reta final. As rodadas mais recentes que organizei mostram redução da distância entre Lula e Flávio, tanto em votos totais quanto em votos válidos. A Datafolha passou de uma diferença de cinco pontos para três; a Quaest, em uma série comparável de votos totais, passou de cinco para dois pontos.
O afunilamento, sozinho, ainda descreve tendência. A leitura política precisa observar também onde a vantagem se concentra, como os candidatos estaduais organizam suas máquinas e quanto dos votos de candidaturas intermediárias permanece disponível para a disputa presidencial.
É nesse ponto que o mapa estadual entra no cálculo. Ele funciona como uma leitura opinativa de cada estado. Reúne percentuais ditos por mim, adesões a levantamentos específicos e avaliações qualitativas quando a conversa registrou apenas um desfecho provável.
As projeções para os governos estaduais
O quadro abaixo reúne as 27 unidades da federação. As margens são pessoais e variam conforme o estado. Quando adoto a leitura de um instituto, mantenho essa adesão sem criar um percentual ausente do registro original.
| UF | Minha projeção | Margem ou desfecho projetado |
| AC | Alan Rick entre 38% e 44%; Mariza entre 36% e 42%. | Empate técnico. |
| AL | JHC com 52%; Renan entre 46% e 51%. | JHC com +3/-2 pontos; cerca de 75% de chance de decisão no primeiro turno. |
| AP | Dr. Furlan com 55%; Clécio com 38%. | ±6 pontos; Furlan provavelmente vence no primeiro turno. |
| AM | Omar com 40%; Maria do Carmo com 24%. | ±6 pontos; Roberto Cidade fica fora do segundo turno na projeção. |
| BA | Adesão quase integral ao Paraná Pesquisas. | ±5 pontos; primeiro turno possível para ambos os lados. |
| CE | Ciro com 52%; Elmano com 48%. | ±6 pontos. |
| DF | Celina vence no primeiro turno. | Celina: +6/-2,9 pontos; Leandro: +10/-3 pontos. |
| ES | Adesão ao Paraná Pesquisas; Lorenzo pode vencer no primeiro turno. | +6/-2 pontos para os dois principais. |
| GO | Daniel com 45%; Wilder com 22%; Marconi com 17%. | ±6 pontos; Daniel favorito, com segundo turno ainda aberto. |
| MA | Adesão ao Real Time. | ±6 pontos; segundo turno muito provável, com pequena chance de decisão imediata. |
| MG | Adesão à Quaest; Ananias com 28%. | ±3 pontos para Ananias; decisão no primeiro turno. |
| MT | Adesão à Quaest. | ±6 pontos; centro condicionado ao levantamento adotado. |
| MS | Adesão à Quaest; vitória em primeiro turno. | ±6 pontos; centro condicionado ao levantamento adotado. |
| PA | Dr. Daniel, do Podemos, vence. | ±3 pontos; adesão à Quaest. |
| PB | Adesão à Quaest. | ±6 pontos; referência a votação expressiva. |
| PR | Sergio Moro com aproximadamente 55%; Sandro e Requião perto de 20% cada. | Moro com ±3 pontos e vitória no primeiro turno; rivais com incerteza maior. |
| PE | Adesão ao Datafolha. | ±3 pontos; centro condicionado ao levantamento adotado. |
| PI | Rafael entre 68% e 75%; Joel pode ficar abaixo de 20%. | Margem extraordinária de 10 pontos. |
| RJ | Paes e Douglas com aproximadamente 44% cada. | ±6,1 pontos; segundo turno muito provável, com possibilidade de decisão apertada no primeiro. |
| RN | Allyson e Cadu com cerca de 35% cada; Álvaro Dias com 27%. | ±6 pontos; Cadu pode superar Allyson, enquanto Álvaro tem chance pequena de chegar ao segundo turno. |
| RS | Zucco vence no primeiro turno. | Adesão à Quaest; ±1,9 ponto. |
| RO | Marcos com 53%. | 60% de chance de primeiro turno; em eventual segundo, Marcos entre 45% e 49,99%. |
| RR | Arthur Henrique vence. | Arthur com margem positiva de até 6 pontos; segundo colocado com ±3 pontos. |
| SC | Jorginho Mello vence. | Leitura qualitativa; percentual e margem em aberto. |
| SP | Tarcísio de Freitas com 57%. | Adesão ao Datafolha; ±6 pontos, faixa de 51% a 63%. |
| SE | Fábio Mitidieri com 53%; Valmir de Francisquinho com 44%. | Mais de 80% de chance de Mitidieri vencer no primeiro turno; 16% de segundo turno. |
| TO | Adesão à última Quaest apresentada. | Segundo turno. |
Há estados em que a disputa aparece resolvida pelo tamanho da vantagem, como Piauí, Roraima e Mato Grosso do Sul. Há outros em que poucos pontos mudam completamente o desfecho, como Acre, Bahia, Ceará, Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. Alagoas, Amapá, Amazonas e Pará permanecem decisivos para o desenho presidencial porque também concentram incerteza no mapa nacional.
Em Sergipe, a leitura combina um centro numérico favorável a Fábio Mitidieri com uma margem elevada para o primeiro turno. Em São Paulo, a faixa de Tarcísio parte de 57% e chega a 63% no extremo favorável. No Rio Grande do Sul, a projeção presidencial e a estadual seguem a mesma direção: Flávio no mapa presidencial e Zucco no governo estadual.
O que esta projeção pretende registrar
Este texto organiza três camadas de análise. A primeira é o placar nacional de 51% para Flávio, 44% para Lula e 5% para os demais. A segunda é a hipótese de transferência de votos, com maior benefício para Flávio a partir de Caiado e Renan. A terceira é o mosaico estadual, no qual percentuais próprios convivem com adesões a Quaest, Datafolha, Paraná Pesquisas e Real Time.
O resultado da eleição permitirá medir cada camada separadamente. Será possível comparar o vencedor, o turno, o erro percentual, a diferença entre os candidatos e a distribuição estadual. Uma antecipação correta do vencedor terá um significado; um placar próximo terá outro; e o acerto simultâneo do turno e da geografia eleitoral será o teste mais exigente.
Minha leitura, hoje, é que a eleição de Flávio Bolsonaro é possível e que sua vitória nacional aparece como um cenário concreto. O primeiro turno permanece numericamente alcançável. Caso a disputa avance, a transferência de votos de Caiado e Renan tende a colocá-lo em posição superior à de Lula, enquanto a contribuição de Augusto Cury para Flávio deve ser pequena.
Nota editorial
Esta matéria apresenta uma projeção pessoal, especulativa e opinativa. Os percentuais, margens e probabilidades refletem cálculos e avaliações do autor, sem caráter de pesquisa eleitoral registrada. A comparação definitiva depende dos resultados oficiais da Justiça Eleitoral.
Lizandro Rosberg.
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